Próximo da Páscoa, havia muito serviço lá em casa, com a função de esvaziar açudes, para juntar e vender os peixes.
Escolhia-se também uma tarde, em que íamos, geralmente junto com a avó, até a propriedade de uns vizinhos, onde havia um mato, para colher barba-de-páu. Eram os vizinhos mais próximos de casa, mas mesmo assim tínhamos que caminhar uma meia hora, atravessando potreiros.
Primeiro chegávamos até a casa destes vizinhos, onde antes ainda os adultos tomavam chimarrão e nós comíamos docinhos de mel ou polvilho, que aquela senhora costumava fazer e oferecer, que eram deliciosos.
Depois, com a permissão recebida, íamos colher um saco de barba-de-páu, que usávamos para colocar em nossos ninhos de Páscoa.
A noite deixávamos estes ninhos ao lado de nossas camas e pela manhã, muitas vezes, já tinha algum ovinho ou doce, mesmo antes do dia de Páscoa.
No domingo de Páscoa, acordávamos bem cedinho, mas dificilmente encontrávamos nossos ninhos aos pés da cama. Então empreendíamos uma busca, pela casa, ao redor da casa, que às vezes demorava tanto, que me desesperava e quase me fazia desistir de procurar. Encontrávamos papel ou paninhos manchados de tintas coloridas e nos falavam que, certamente foi o coelho da Páscoa que havia limpado seu popô. Mas estes, às vezes nos indicavam o caminho para encontrar os ninhos.
Ao acharmos nossos ninhos, a satisfação era enorme, e não nos cansávamos de tanto examinar e contar nossos chocolates e ovinhos.
Havia ovos de galinha cozidos e pintados, ovos de chocolate com licor por dentro, ovos de açúcar e os belos coelhos de chocolate. Muitos coelhos vinham em dupla, um de frente para o outro e entre eles um ninho cheinho de ovinhos de açúcar coloridos.
Tudo estava embalado em papel celofane trensparente.
Tudo estava embalado em papel celofane trensparente.
Meus filhos nunca chegaram a conhecer estas lindas obras de chocolate, porque hoje em dia ninguém mais fabrica.

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