Quando ainda bem pequenas, ao anoitecer, já de banho tomado, e às vezes já vestidas com os pijamas, íamos com nossas canequinhas esmaltadas, até a estrebaria. Lá nossa mãe ordenhava as vacas, enchia diretamente nossas canequinhas e bebíamos o leite quentinho recém saído da vaca.
Depois disso voltávamos para casa e íamos dormir, às vezes ainda com os "bigodes" branquinhos da espuma do leite, que havíamos bebido.
Depois de crescida, eu também aprendi a tirar leite das vacas e ajudei a fazer este serviço por muitos anos.
Eu tinha minha vaquinha predileta, a "Menina", que só eu ordenhava. Ela era muito mansinha e gostava muito de mim. Eu dava pasto na boca dela e às vezes, quando brincava no potreiro, ela corria atrás de mim e vinha lamber minhas mãos.
Fiquei muito triste e parei de ajudar a tirar leite, quando um dia, meu pai vendeu "minha" vaquinha.
Também ela sentiu muito, pois, passados alguns dias, o comprador nos disse que ela parou de dar leite e não parava de mugir o dia todo.
Então meus pais resolveram ir vê-la e ao chegarmos lá, quando ela escutou minha voz a chamando na cerca, veio correndo e mugindo e me fez chorar de emoção.
Minha breve esperança não se concretizou, pois o negócio não foi desfeito.

Nenhum comentário:
Postar um comentário