Como em toda propriedade rural, lá em casa também tínhamos porcos. Serviam para nosso gasto e algumas vezes também era vendido algum, se este já estava no ponto de carnear e nós ainda não precisávamos da carne dele.
Duas ou três vezes por ano, meus pais, auxiliados pelos vizinhos, carneavam um porco e às vezes também um novilho, para fazer linguiças e charques e para obter a banha consumida em todas as cozinhas de antigamente.
Eu gostava de olhar este serviço, mas só chegava perto, quando o bichano já estava morto e limpo, pois eu tinha muito pavor de vê-lo sendo abatido. Se não estivesse na escola naquela hora, eu me refugiava na casa dos vizinhos, até que tudo estivesse calmo.
A última tarefa, era a fabricação das linguiças e aí eu gostava de ajudar, tocando a manivela da máquina que enchia as tripas, com a carne moída e temperada.
Depois, as linguiças eram penduradas numa casinha bem fechada, o "defumeiro", onde permaneciam por alguns dias, para receber fumaça e secar.
Depois de prontas, sempre era festa à mesa, quando o pai cortava a linguiça e distribuía pedaços para nós, o mesmo acontecendo com os gostosos charques, que se fatiava bem fininho e se comia acompanhado do pão caseiro, coberto com manteiga e açúcar, ou com "schimier" de frutas, cozidas pela mãe ou avó, ou ainda com requeijão, fabricado do leite das vacas.

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