Em casa, tínhamos as horas de brincar e de ajudar nas
tarefas.
Na hora de colher pasto para o gado, lá íamos nós, junto
com a mãe ou pai. No início era só para ajuntar a aveia ou o azevem que
cortavam. Mais tarde, nós mesmas cortávamos o pasto, sozinhas.
Em época de cana de açúcar, passávamos muitas tardes
descascando e chupando este gostoso suco. Muitas vezes, à noite os maxilares
estavam doloridos, de tanto mascar cana . Foi justamente descascando cana, que
um dia me cortei fundo no dedo e carrego a cicatriz ainda hoje.
Costumávamos acompanhar a mãe ou a avó, para colher as
“tortas” de esterco secas, deixadas no campo pelo gado. Tudo era levado para a horta e esfarelado
para servir de adubo.
Nós gostávamos desta tarefa. Andar no meio do campo, às
vezes correndo atrás de filhotes de quero-quero, era muito bom. Também não
perdíamos a oportunidade de jogar algumas “tortas” (secas), uma na outra.
***
Muitos anos depois, quando meus pais já moravam em
Tramandaí, iniciaram uma horta no terreno ao lado da casa e então para
adubá-lo, a mãe saía pelas redondezas ajuntando “tortas” que os cavalos dos
carroceiros deixavam pelas ruas ou terrenos. Os veranistas diziam que gostavam,
pois quando vinham, os pátios estavam limpos, pois D. Lody já havia passado e recolhido os cocôs.

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