Retalhos da Minha Infância
Histórias que vivi e de que ainda me lembro.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Na casa da tia Rita

 Nas férias, muitas vezes depois de passar a manhã ajudando o pai nas vendas das verduras, depois do meio-dia, quando ele estava pronto, me levava na casa da tia, irmã de nossa  mãe, para ficar lá por uns dias, em São Leopoldo. 
Eu gostava muito. Eles ainda não tinham filhos e a casa era um brilho só. Eles gostavam de ter tudo muito limpo e brilhoso.
Meu tio tinha uma oficina, onde ele sempre fazia alguma coisa, algum banquinho, ou mesinha, ou coisas assim.As ferramentas estavam sempre todas bem arrumadinhas, cada uma no seu lugar, desenhado na parede. Ele era muito caprichoso.
A tia, tinha uma hortinha e todo lixo orgânico ela jogava num buraco que, quando estava cheio, ela cobria com terra e então plantava legumes ou hortaliças que ficavam muito fortes por causa do adubo orgânico. Ela também pintava quadros com tintas à óleo e fazia esculturas com madeiras ou barro.  É uma pena que quase não temos obras dela para lembrar. 
Lembro de  ocasiões, que fomos à noite, na semana do Natal, para  São Leopoldo, para ver as vitrines das lojas. Minha tia era autora de muitas destas belas vitrines. Ela fazia todas as peças de presépio em barro e os pintava muito bem. Depois montava pinheiros de Natal e embaixo montava  estes presépios. Cada vitrine de modo diferente. Não se sabia dizer qual estava a mais bonita. 
Na casa destes tios também acontecia algo estremamente curioso para mim:  Certo dia, eu estava tranquilamente sentada na latrina, lendo um livrinho e apareceu o "cubeiro".  São Leopoldo, já era uma cidade bastante grande, mas como não existia uma rede de esgotos em toda cidade, lá na casa deles, vinha o  cubeiro, que  era um empregado da prefeitura  que passava na rua, levando cubos cilíndricos de madeira, transportados em caminhões ou carroças.  Estes cubos eram colocados nas latrinas. Em dias específicos, eram trocados,  pelo cubeiro, por cubos limpos. Então o moço bateu na porta e disse para eu terminar logo meu "serviço", que ele não podia esperar. Lembro-me que ficou parado na porta, eu ainda era criança, mas não quiz me apressar. Eu disse pra ele ir embora , voltar depois. Mas apareceu minha tia e disse que eu tinha que sair, pois ele não podia voltar.
 O conteúdo dos cubos  não sei para onde levavam. Esse serviço era uma imundície, pois as vezes os cubos transbordavam e ele se sujava e fedia e ainda derramava pelo caminho.


fotos ilustrativas

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