Sempre tínhamos marrecos, aqueles bem branquinhos como a neve, que embelezavam os açudes, quando lá nadavam. Eles também produziam ovos e penas.
Os marrecos eram lindos, ainda mais quando tinham filhotes, que nadavam em fila indiana, atrás de suas mães.
Uma vez por ano era feita a colheita das penas, que, quando não precisavam, meus pais vendiam, pois sempre havia senhoras esperando por esta encomenda, para fazer travesseiros e cobertas.
Minha irmã e eu, depois de muito observar, passamos a ajudar nesta tarefa.
Pegava-se o marreco e o deitava de costas no colo, segurando com uma das mãos as duas pernas e apertando a cabeça debaixo do braço. Com a outra mão, se juntava um punhado de penas e as arrancava. Sabíamos o lugar onde se podia retirar as penas. Nunca podia ser com força e nem tirar penas demais.
Às vezes, os marrecos nos bicavam, com seu bico enorme e forte. Então também ficávamos bravas e arrancávamos suas penas com força ou quase as deixávamos peladas, quando nossos pais ou avó não estavam por perto.
Certa vez, eu peguei um marreco e arranquei todas as penas dele, deixei ele peladinho. Quis ver como é que ele ficava.
Coitadinho! Foi para o açude e quase se afogou. Pulei atrás e o peguei e prendi no galinheiro. Quando minha mãe descobriu, levei uma advertência e uma boa surra.
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