Retalhos da Minha Infância
Histórias que vivi e de que ainda me lembro.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

O Verdureiro

Depois que se acabaram as plantações de arroz e não teve mais este serviço, meu pai passou a plantar legumes e verduras que,  na terça-feira e no sábado, ele levava embora, para vender.
Na véspera deste dia, tudo era colhido, lavado, preparado e acomodado no carro, de forma bem organizada e levado até São Leopoldo, onde na praça do Imigrante, ele tinha sua parada de vendas.
Nós crianças, também muito ajudávamos neste trabalho. Ficava sempre a nosso cargo, limpar o tempero verde e amarrar em feixinhos. Também tínhamos que colher os moranguinhos, as vagens e ervilhas. Subir nas árvores, colher bergamotas, laranjas, limões ameixas e goiabas. Tudo fazíamos sempre, com muito entusiasmo.
À noite, nossa mãe preparava o requeijão, que era colocado em latas ou recipientes que as freguesas já haviam mandado na vez anterior. Ela misturava com as mãos,  o requeijão com nata, em uma vasilha bem grande. Depois tudo era pesado e ía para a geladeira e o pai só carregava de manhã, antes de sair.
Também fazía-se muita "schmier" de frutas, tais como: de goiabas, laranjas e peras, e tudo era vendido também.
O carro sempre ía super lotado, pois além de levar verduras, frutas, flores de nosso pomar, também levava produtos comprados de outros vizinhos.
Voltava de São Leopoldo à tarde, depois de vender tudo. 
À noite, ele sentava à mesa, contava o dinheiro conseguido e fazia seus cálculos. Às vezes se sentia triste, pois depois de tanto trabalho, o ganho era pouco. 
No outro dia, logo demanhã, a mãe lavava todas as latinhas, que voltavam vazias, e às vezes, ainda sujas do requeijão vendido. Colocava todas para secar ao sol, para não ficar nenhum cheiro.
Em nossas férias escolares, muitas vezes podíamos ir junto com nosso pai. Uma vez  eu, outra vez minha irmã ía junto.  Quase não conseguíamos dormir, de tão ansiosas para este dia. Às vezes ajudávamos as freguesas a levar suas compras até suas casas e ainda ganhavamos algum doce. 
Também, nestas ocasiões, nosso pai nos levava para comprar alguma roupa ou calçado nas lojas das freguesas dele. A maior alegria, para mim, era quando ele parava na livraria "|Rotermund" e lá comprava algum livrinho de estórias. Desde criança, eu gostava muito de ler.



Este não era o carro do pai, mas ele ía lotado, quase como este.










Este era o carro do pai
No canto esquerdo, antes da porta, ele colocava uma caixa, presa, onde levava galinhas ou galos vivos para vender para as freguesas. Lá na praça, no local da venda eles ficavam cantando as vezes. 
 





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