Tínhamos em nossa propriedade, todas as espécies de árvores frutíferas.
Minha irmã e eu tínhamos escolhido nossas prediletas, que se tornaram propriedade particular, onde nenhuma podia comer ou escalar na árvore da outra, sem permissão.
Eu tinha uma ameixeira (ameixa amarela) de estimação. Havia diversas, mas eu só comia as frutas desta e passava o tempo livre trepado nela. Lá eu fazia minhas lições de casa, lá eu estudava, cantava e na época das ameixas, comia mais do que os passarinhos.
Acho que minhas notas sempre foram muito boas na escola, porque eu estudava no meio da natureza, em cima das árvores.
Eu tinha também uma goiabeira de estimação, que ficava mais distante de casa. Lá eu cantava bem alto, declamava versos, fazia teatro para platéias imaginárias, me imaginava a mais linda e famosa artista do mundo. Esta goiabeira tinha galhos fortes, onde eu me balançava, fazia saltos, imaginando um trapézio de circo. Muitas vezes também caía, mas isto fazia parte.
Eu tinha também uma goiabeira de estimação, que ficava mais distante de casa. Lá eu cantava bem alto, declamava versos, fazia teatro para platéias imaginárias, me imaginava a mais linda e famosa artista do mundo. Esta goiabeira tinha galhos fortes, onde eu me balançava, fazia saltos, imaginando um trapézio de circo. Muitas vezes também caía, mas isto fazia parte.
Lembro-me também das amoreiras, onde trepávamos todas, minha irmã, eu e nossas duas amigas vizinhas, da mesma idade que nós.
Do pé de cabiroba, um dia eu caí, bem do alto, direto dentro d'água, pois ele estava plantado bem no barranco do arroio.
O maior susto que levei numa árvore, foi quando um dia subi depressa e quando cheguei ao topo, vi uma cobra enrolada num galho, me olhando. Então, acho que Deus me deu asas, pois só posso ter voado, de tão rápida que voltei ao chão. Hoje eu sei que foi uma cobra cipó, que costumam subir em árvores para espreitar passarinhos. Depois disto, antes de subir em árvores, primeiro eu examinava, se não havia cobras.Certo dia, as quatro amigas, resolveram fazer um concurso de quem conseguisse subir na árvore mais alta. Fomos para as terras de nosso vizinho, pai de nossas amigas, pois lá tinha um mato com enormes eucaliptos. Eu devia ter uns onze ou doze anos de idade e sabia mais do que as outras, a escalar um poste liso, tal qual um macaquinho. Por isto escolhi o eucalipto mais alto e, realmente, o consegui escalar com facilidade. A visão de lá era linda, eu via os açudes e enxergava muito longe. Devido a grande altura, comecei a sentir medo e perdi a coragem de descer da árvore.
As outras meninas se deram por vencidas e desistiram da brincadeira. Começaram a pedir para que eu descesse e fôssemos embora, brincar de outra coisa.
Mas eu, realmente não sabia como descer. Elas cansaram de me esperar e foram embora. Aí memo que o meu medo aumentou e se transformou em pavor. Eu ficava imaginando nunca mais conseguir descer e as gurias não falar em casa onde eu estava. Passou-se um bom tempo e começou a anoitecer e eu procurando encontrar coragem e um modo de descer do eucalipto. Até alguns passarinhos já vinham saltar nos galhos perto de mim, com certeza para me espantar ou passar a noite.
Acho que foram eles, com seu piado e o nervosismo, que me incentivaram a pular daquela altura. Não sei até hoje, como não me quebrei toda. Só podem ter sido os passarinhos que me emprestaram suas asas!
A única vez que me machuquei de verdade, foi quando pulei da árvore de cáqui de chocolate, que ficava bem encostada de nossa casa. Dela, podia-se passar para o telhado com facilidade, ou vice-versa. Quando brincáva-mos de esconder, ela servia de caminho para entrar ou sair pelas janelas do sótão. Com a pressa de quem está brincando de esconder, eu pulei da árvore, em cima de um pedaço de madeira que tinha um prego, que entrou no meu pé.
Ah... isto foi terrível, pior porque tinha receio de contar para a mãe, pois poderia, ainda por cima, levar uma surra, já que era muito arteira.
Mas a vovó, uma verdadeira vó de açúcar, me cuidou, fez banhos de água quente com sabão e compressas caseiras por muitos dias e nem falou pra mãe da gravidade do caso.
Graças aos conhecimentos e cuidados dela, a ferida não infeccionou e logo eu já estava empoleirada nas árvores denovo.
Hoje eu tenho certeza, de que a metade de minha infância eu passei em cima das árvores.





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