Treze anos. Um dos dias mais quentes de janeiro. Domingo à tarde.
Tínhamos visitas: meus avós paternos, uma irmã da vovó materna e um tio e família.
No meio da tarde, papai fatiou duas enormes melancias e todos se puseram a saboreá-las, ao redor de uma grande mesa.
A melancia por ser uma fruta de pura água, antes de terminar de comê-la, já atravessou o corpo e chegou à bexiga. Então é preciso ir correndo ao banheiro fazer xixi.
Foi assim que aconteceu. Foi quando, naquela tarde, eu vi algo novo e estranho: minha primeira menstruação!
Eu ainda não sabia quase nada à respeito. Apenas que minha mãe já havia costurado uns "paninhos", que em breve eu iria precisar, como todas as meninas da minha idade, quando ficavam "doentes".
Depois do susto, pela surpresa, veio a dúvida: será que faz mal eu voltar e terminar de comer meu pedaço de melancia? Como vou falar pra minha mãe se ela está rodeada de visitas? Não sabendo o que fazer, fui ficando no banheiro.
Passou-se um tempo e ficaram preocupados com o meu sumiço. Eu mesma ouvia eles perguntar por mim.
Então minha mãe, desconfiando que eu tivesse ido ao banheiro, foi até lá para ver o porquê da demora. Foi então que lhe contei, toda apavorada.
Pensando que ela iria me buscar os tais "paninhos" e me trazer discretamente, fiquei muito envergonhada, quando a ouvi dar gargalhadas e sair apressada a contar para todos.
Foi um auê geral. Ao chegar devolta à varanda, todos me abraçaram e felicitaram e eu fui ficando cada vez mais encabulada.
Minha avó materna foi a única que não riu. Ela, ao contrário, ficou muito séria. Logo me pegou pelo braço e disse: "Du Liebe Gott, Kindche" (Meu Deus, criancinha) - Vem, vamos logo colocar um casaquinho e meias nos pés. Agora que ficaste "doente" tens que te cuidar bem.
Não me deixou mais sair do quarto e eu acabei me "sentindo" doente , mesmo não sentindo absolutamente nada! Tive que ir cedo para cama.
Por alguns dias, só pude lavar os pés com água quentinha e nada de banho, apesar do desconforto de ter que usar uns paninhos, que, de tão novinhos, me deixavam assada...

Nenhum comentário:
Postar um comentário