Nós, sempre tivemos muitos gatos. A mãe era uma espécie de protetora, pois quando encontrava algum abandonado levava para casa e seguidamente, as pessoas que não queriam mais gatos, iam até nossa casa e escondido de nós, abandonavam gatinhos.
Minha avó e ela diziam que cada casa deveria ter gatos, pois estes levavam embora "mau olhado", absorviam doenças e negatividade das pessoas. Se um gato ficasse doente e morria, elas diziam que uma pessoa da casa foi salva pelo gato.
Tinha uma gata mãe, acho que a mais velha de todas, cada vez que ela tinha filhotes, ela era braba e cuidava com unhas e dentes a sua ninhada.
Ao lado de nossa casa, passavam muitas pessoas, vizinhos que moravam mais adiante e outros que moravam nos fundos de nossa terra, atalhavam, para chegar mais depressa à venda. Dificilmente algum transeunte não vinha acompanhado de algum cão.
Tinha um senhor que passava por lá, sempre com uma matilha de cães e a mãe falava pra ele: "o dia que nossa gata velha tiver filhotes, teus cães não conseguirão passar por aqui!. Ele ria e dizia que isso nunca ia acontecer pois seus cães enfrentavam qualquer coisa, eram fortes e corajosos.
Mas chegou o dia que a "Mitzi" tinha filhotes.
Vimos de longe este senhor vindo, com sua matilha de cães. Então a mãe já começou a rir dizendo: hoje ele vai ver quem é mais forte e corajoso!
Faltavam uns 50 metros para ele passar ao lado de casa, quando a Mitzi viu e foi se sentar bem no meio do caminho deles.
O senhor viu e ficou rindo, dizendo : hoje vocês vão conhecer a raça de meus cães!. Bastou ele falar isso para ela encarar o primeiro cão, montar na garupa dele e ficar batendo na cabeça dele, até ele se voltar e sair correndo para onde veio, ganindo como podia. Assim ela fez com mais alguns, até que todos resolveram voltar pelo caminho que vieram e não acompanharam mais o patrão.
Então minha mãe e todos lá em casa caíram na gargalhada e o senhor se escapou rapidamente e nem quis mais conversa.


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