Em 1974, em minhas primeiras férias de trabalho, no escritório do Curtume Bender Schuck, em Estância Velha, fui viajar com minha mãe e irmã da avó, para Recife/PE, na casa do irmão mais velho da vovó. Também foi minha primeira viagem de avião.
Este tio avô, Félix Bela Filuszteck, era o primeiro filho dos imigrantes Lazar e Rosália Filuszteck, provenientes da Austria em 1897. Minha avó Olinda era a segunda filha, de dez irmãos. O Félix, irmão da vovó, morava longe de nós, mas ele e a esposa, vinham praticamente todos os anos para o sul do Brasil, visitar todos os parentes que viviam por aqui. Quando já não podia mais viajar, ele escrevia cartas, pedindo para os parentes irem até o Recife visitar ele. Isto foi por alguns anos, mas ninguém se atreveu a ir até lá. Então em 1974 veio uma carta dele, onde quase não se podia mais entender a escrita, mas pedia por favor, à minha mãe, que era sobrinha e afilhada dele, que ele tinha muito apreço, para realizar o ultimo desejo dele e ir até lá. Dizia, desesperado, que não poderia morrer sem a presença dela. Foi então que eu disse à minha mãe e avó, vamos lá, eu tenho férias e vamos realizar o desejo dele. Minha avó não quis ir, tinha medo da viagem, já era bem velhinha também. Então foi junto a tia Gisela, uma irmã mais nova dela. . Fomos de avião, de Porto Alegre à Recife, com escala em São Paulo e Salvador.
Este tio Felix Bela, já estava acamado a um bom tempo, mas quando soube que a sobrinha Lody, minha mãe, estava chegando, ficou bom, de repente, e até veio nos receber também, com a filha e netos no aeroporto. Ele estava muito feliz. Foi passear conosco, quase todos os dias, nos mostrando muitos lugares lindos em Recife e cidades próximas, e contando muitas histórias.
No oitavo dia de nossa visita, fui com o neto dele na rodoviária comprar nossas passagens, desta vez voltamos de ônibus para conhecer mais lugares. Ficamos quatro dias em Salvador, Bahia e quatro dias também no Rio de Janeiro, para conhecer um pouco do local.
Quando voltamos da rua, e o neto dele falou o que tínhamos ido fazer, ele parecia que levou um choque. Disse, mas já vão embora? Então agora posso morrer, mas morro feliz porque vi minha sobrinha e afilhada querida. E para surpresa de todos, ele teve um enfarte fulminante e morreu em seguida. Foi um episódio muito triste, ficamos para o velório e enterro, e no ouro dia voltamos de lá. Mas a filha , genro e netos nos consolaram dizendo que não nos abalássemos, pois ele queria isto mesmo e que partiu feliz!
Nesta foto está o Félix Blea, a filha Irene, genro Luiz Notari e neto, Henrique.

Nenhum comentário:
Postar um comentário