Retalhos da Minha Infância
Histórias que vivi e de que ainda me lembro.

terça-feira, 21 de janeiro de 2025

Aprendendo a dirigir

 Quando eu tinha 15/16 anos, resolvi que ia aprender a dirigir. Meu pai tinha aquela  antigo carro, Modelo A, transformado em caminhonete.

Tínhamos aviário, de galinhas poedeiras. O galpão onde o carro ficava guardado, ficava um pouco distante da casa, para os fundos, ao lado dos galpões do aviário. Após o almoço os pais e vovó iam  se deitar para um descanso, a "soneca"" da tarde.

Então pra não saberem, entrava no carro,  ligava, desligava, até sentir firmeza e avançar um pouco.  Depois criava coragem de avançar um pouco   logo colocava a ré e voltava. De tanto observar o que meu pai fazia, eu sabia perfeitamente. Logo senti firmeza total e sai, dei volta nos galpões s e voltei pro mesmo lugar, sem meu pai perceber nada. 

Dali em diante comecei a pedir pra meu pai, pra me ensinar a dirigir. Toda semana quando chegava o carregamento d ração para o aviário, esta era descarregada próximo da casa e depois tinha que ser levada de caminhonete até nos fundos, onde ficavam todos os galpões. Eu dizia pra meu pai, que se soubesse dirigir, este serviço eu poderia fazer. 

Então ele concordou. Me chamou, mandou sentar e começou a  me mostrar o que fazer. Eu , como já, sabia, liguei o carro e logo sai dirigindo pra maior surpresa dele. Ai recebi muitos xingamentos, porque ele percebeu que eu mexia no carro quando eles não viam. 

Pude começar a levar a ração e ele não precisou mais fazer. 

Depois ele vendeu a caminhonete, comprou uma Kombi, eu dirigia por tudo, até pra fora da cidade e só fui fazer minha carta de motorista com 22 anos. Nunca ninguém me parou para ver se eu tinha carteira. 


domingo, 19 de janeiro de 2025

O ataque dos marimbondos

 
Certo dia fomos brincar em baixo de uma laranjeira. Ela tinha alguns galhos muito baixos e num deles tinha um ninho de marimbondos. 

Minha irmã encostou com a cabeça e levou muitos ferrões. 
Foi uma gritaria e correria até em casa, onde só estava a vovó.

Acho que ela não sabia o que fazer, só lembro que molhou o local e deu água pra ela. Mas ela desmaiou, talvez de tanta dor. 

Só me recordo que ela ficou desacordada por muito tempo, talvez mais de uma dia, e não sei se fizeram alguma coisa, além de observá-la na cama. 

Não tenho fotos. Imagens ilustrativas. 
   

 


Colhendo vagens e ervilhas



 Meus pais plantavam todo tipo de legumes e hortaliças, que ele vendia às terças e sábados, quando levava tudo à São Leopoldo. Lá, ele estacionava ao lado da praça do Imigrante , onde mais verdureiros se reuniam.

Nos crianças, também ajudávamos muito, nossa tarefa  nas segundas e sextas feiras a tarde, era colher as frutas e muitos legumes. Limpá-los, amarrar em feixes o que precisava .

Subíamos nas laranjeiras, bergamoteiras, goiabeiras, ameixeiras, isto era uma brincadeira para nós que passávamos nosso tempo livre, a maior parte em cima das árvores. Também tinha peras, marmelos, abacates para colher. Nosso pomar era rico de tantas frutas.

Eu adorava colher as vagens e as ervilhas. A noite, eu nem tinha mais fome, porque na colheita destas eu já havia me empanturrado. Eu tanto gostava de comê-las cruas, que colhia uma e comia outra. 

Imagens ilustrativas. - Não tenho fotos deste tempo






Visita ao tio avô em Recife/PE

Em 1974, em minhas primeiras férias de trabalho, no escritório do Curtume Bender Schuck,  em Estância Velha, fui viajar com minha mãe e irmã da avó, para Recife/PE, na casa do irmão mais velho da vovó. Também foi minha primeira viagem de avião. 

Este tio avô, Félix Bela Filuszteck, era o primeiro filho dos imigrantes Lazar e Rosália Filuszteck, provenientes da  Austria em 1897. Minha avó Olinda era a segunda filha, de dez irmãos. O Félix,  irmão da vovó, morava longe de nós, mas ele e a esposa, vinham praticamente todos os anos para o sul do Brasil, visitar todos os parentes que viviam por aqui. Quando já não podia mais viajar, ele escrevia cartas, pedindo para os parentes irem até o Recife visitar ele. Isto foi por alguns anos, mas ninguém se atreveu a ir até lá. Então em 1974 veio uma carta dele, onde quase  não se podia mais entender a escrita,  mas pedia por favor, à minha mãe, que era sobrinha e afilhada dele, que ele tinha muito apreço, para realizar o ultimo desejo dele e ir até lá. Dizia, desesperado, que não poderia morrer sem a presença dela. Foi então que eu disse à minha mãe e avó, vamos lá, eu tenho férias e vamos realizar o desejo dele. Minha avó não quis ir, tinha medo da viagem, já era bem velhinha também. Então foi junto a tia Gisela, uma irmã mais nova dela. . Fomos de avião, de Porto Alegre à Recife, com escala em São Paulo e Salvador. 

Este tio Felix Bela, já estava acamado a um bom tempo, mas quando soube que a sobrinha Lody, minha mãe, estava chegando, ficou bom, de repente,  e até veio nos receber também, com a filha e netos no aeroporto. Ele estava muito feliz. Foi passear conosco, quase todos os dias, nos mostrando muitos lugares lindos em Recife e cidades próximas, e contando muitas histórias. 

No oitavo dia de nossa visita, fui com o neto dele na rodoviária comprar nossas passagens, desta vez voltamos de ônibus para conhecer mais lugares. Ficamos quatro  dias em Salvador, Bahia e quatro dias também  no Rio de Janeiro, para conhecer um pouco do local. 

Quando voltamos da rua, e o neto dele falou o que tínhamos ido fazer, ele parecia que levou um choque. Disse, mas já vão embora? Então agora posso morrer, mas morro feliz porque vi minha sobrinha e afilhada querida. E para surpresa de todos, ele teve um enfarte fulminante e morreu em seguida. Foi um episódio muito triste, ficamos para o velório e enterro, e no ouro dia voltamos de lá. Mas a filha , genro e netos nos consolaram dizendo que não nos abalássemos, pois ele queria isto mesmo e que partiu feliz!


Nesta foto está o Félix Blea, a filha Irene, genro Luiz Notari e neto, Henrique. 

As quermesses da Igreja

Eu fui batizada, me confirmei, me casei e até hoje faço parte da Igreja Evangélica de Confissão Luterana -  IECLB. Isto vem de berço, meus pais, avós, bisavós, de ambos os lados pertenciam a IECLB.  Meu trisavô  paterno  - Lorenz Konrad - foi um dos fundadores da igreja evangélica  em Linha Nova/RS, logo que ele, imigrante, chegou da Alemanha. 
Meus pais sempre fizeram parte da diretoria da igreja em Estância Velha. Todos os anos esta comunidade fazia grandes kermesses, por ocasião da data de fundação da igreja. Tinham muito trabalho com a preparação e até nós, crianças e depois jovens, participávamos desta organização.
Estas kermesses juntavam muito povo, era servido  almoço, com galeto, churrasco e muitos acompanhamentos. Sobremesas das mais diversas. A tarde um café delicioso com muitas cucas, bolos e tortas. Sempre tinha alguns músicos e bandinhas que animavam a festa e um local onde até dançavam. Tinha muitas bancas com brincadeiras e onde se podia ganhar prêmios  diversos.
                                     
 O salão da comunidade lotado de pessoas nos  tradicionais almoços nas kermesses. (Foto de tempo mais recente)



Igreja da IECLB em Estância Velha