Retalhos da Minha Infância
Histórias que vivi e de que ainda me lembro.

domingo, 17 de agosto de 2025

Julira

 Teve uma época em que participei de um grupo de juventude da Sociedade de Canto Lyra, um clube que ficava  no bairro próximo onde morávamos. Este foi um grupo formado para fazer teatro e eu participei em muitos. Também tínhamos um coralzinho. 

Nos reuníamos aos sábados a tarde e em muitas noites  o salão do clube enchia, para assistir ao canto e ao nosso teatro. 

Minha tia Rita , que sabia pintar quadros, pintou uma sala grande  em tecido, que era o local onde se desenrolava a peça teatral. 

As vezes íamos em algum recanto ao ar livre para ensaiar nossas peças de teatro. 














Frequentando a juventude

Minha irmã e eu fizemos nossa  confirmação de fé em em 1961. Depois disto começamos a frequentar a Juventude Evangélica , de nossa Comunidade, a IECLB ( Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil). 
Nos primeiros anos o encontro era aos sábados a tarde. Mais tarde aos sábados a noite. 
Eram encontros muito alegres, fazia-se  um estudo bíblico e depois muitas brincadeiras.
Aos domingos a tarde todos se reuniam novamente para jogar vôlei. 
Lembro de uma vez, que fomos num fim de semana  para Sertão Santana, num encontro com a juventude do local.  Lá, cada jovem dormiu na casa de algum membro da comunidade. Então minha irmã e eu iriamos ficar em casas separadas.
Mas, aconteceu que, tínhamos levado apenas uma bolsa com nossas roupas e utensílios. Nossa mãe não se deu conta de que cada uma precisaria levar suas coisas em separado.  Então falamos para o Pastor que teríamos que  ficar juntas numa casa. Foi preciso o Pastor de lá,  ter que entrar em contato com as famílias pra saber quem poderia acolher as duas irmãs, kkkk.
A noite, depois de uma apresentação de teatro que nosso grupo havia ensaiado, fomos convidados para tomar sopa no local da apresentação. Lembro que a sopa era muito líquida e uma das colegas perguntou bem alto,  ao responsável da cozinha, se a sopa ficou debaixo da goteira do telhado, pois havia chovido naquele dia! kkkk Claro que o Pastor não gostou e chamou atenção.
Outo retiro da juventude, do qual me lembro, foi no Lar da Juventude em Sapiranga, no Morro Ferrabraz. Lá fizemos uma trilha pelo meio do mato para chegar ao local onde morou Jacobina, da história "A Revolta dos Muckers" 
Esta foto foi feita  em algum dia posterior da confirmação, num fotografo em Novo Hamburgo.

   

As Gêmeas

Não éramos gêmeas. A nossa diferença de idade é de1 ano,1 mês e 5 dias. 

Mas desde pequenas, a mãe sempre nos vestia bem iguaizinhas e todos  pensavam que éramos gêmeas. 

Ela costurava nossos vestidos, nossa roupa toda . Cada vez que comprava um tecido , fazia do mesmo e mesmo modelo,  para as duas.

Quando eu deveria ter frequentado o segundo ano primário, eu fiquei muito doente, tive hepatite e perdi o ano. Dali em diante, passamos a estudar sempre juntas, porque quando minha irmã foi para o segundo ano, eu também fui novamente. 

Isto também contribuiu para que as pessoas pensassem que éramos gêmeas.

Quando ficamos maiores, não gostávamos de ser chamadas de gêmeas. Mas isto foi assim até nossa confirmação. 

Depois da confirmação, a mãe nos deu dinheiro para que fossemos na loja comprar o tecido para fazer novos vestidos para o Natal. Então chegou a ocasião esperada. Pelo caminho já combinamos de comprar tecidos diferentes. Foi o que fizemos, mas a mãe não gostou muito, mas teve que aceitar dali em diante. 






 


sábado, 16 de agosto de 2025

O canto, o acordeom e o violão.

Quando crianças, nós gostávamos muito de cantar, aliás, isto prevalece até hoje.

Subíamos nas “nossas” árvores e lá cada uma cantava, talvez se imaginando um dia ser uma grande cantora.

Nunca perdíamos a época de Natal, quando as crianças já ensaiavam hinos de Natal um mês antes.

Na escola tínhamos aulas de canto e também participávamos do coralzinho da escola.

Mais tarde, já adolescentes entramos no coral onde meu avô, meu tio e no inicio também meus pais participavam.  Era um coral de uma sociedade,  a Sociedade de Canto União de Estância Velha,  que até hoje possui um coral forte e que é famoso. Participou de muitos festivais de coros em diversas cidades e até no exterior.  Em Porto Alegre,  nos Festivais de Coros ,sempre foi bem premiado.

Quando  crianças ainda, também sonhávamos em tocar algum instrumento musical.

Nosso pai adquiriu uma cítara que tinha os papéis com as notas que se empurrava por baixo das cordas e então dedilhava no lugar da nota. Infelizmente não lembro onde foi parar esta cítara.

Mais tarde meu sonho era ter um violão. Mas o pai e avô diziam que isso não fazia música completa e não era pra meninas. Então ganhamos um acordeom. Papai contratou  um professor para nos ensinar. Eu como não me interessei, e fiquei frustrada por não ganhar um violão, nunca aprendi nada, logo desisti das aulas. Minha irmã sim, aprendeu alguma coisa e depois também ganhou um acordeom maior. Este primeiro, pequeno, doei mais tarde para a nossa Comunidade religiosa em Tramandaí.  

Hoje me arrependo,  que não aprendi a tocar nada no acordeom.

imagens ilustrativas


FOTOS DO CORAL UNIÃO







domingo, 27 de julho de 2025

Visitas dos primos


Ficávamos imensamente felizes, quando no domingo, chegava  a Família Mahler, nossos primos queridos,  em nossa casa.

Era um dia de muita alegria, muitas brincadeiras , muitas conversas e risadas.

No verão os banhos no açude, balneário, era o principal  atrativo.

Em épocas fora do verão, pescávamos, corríamos por toda propriedade, subindo em árvores, comendo frutas colhidas dos pés.

Lembro que a mãe recebia muito elogios de sua prima Lia, porque ela sempre fazia um café farto, com pão caseiro, cucas, feitas em forno de barro, e schmiers  diversas.




 
Esta foto é mais recente , não daquela época. 




Coleção de Postais

 

Na época de minhas trocas de correspondências, com muitas pessoas de diversas partes do mundo, era muito comum se trocar postais com paisagens de seu país.

Muitos postais vinham dentro do envelope, junto com cartas.

Mas muitos eram postados diretamente, sem envelope por fora, principalmente daqueles correspondentes, com quem eu não conseguia me comunicar por cartas devido a língua.

Como foram muitos anos que eu me correspondia, juntei muitos postais dos lugares de onde eram meus amigos correspondentes.  

Tenho em torno de 200 postais em minha coleção: Brasil, Paraguay, Argentina, Chile, Peru, Colômbia, Porto Rico, México, Estados Unidos, Canadá, Espanha, Portugal, Alemanha, Áustria, Suíça, Hungria, Tchecoslováquia, Japão.

Abaixo fotos só de alguns cartões postais:








Escrevendo cartas

Na minha pré-adolescência e juventude, meu maior passatempo era escrever e receber cartas.

Eu tinha muitos correspondentes, moças e rapazes de diversas partes do mundo, muitos do Brasil. Cheguei a ter mais de 50 amigos com quem trocava cartas, ou apenas postais, por não conseguir me comunicar na língua deles.

Eu escrevia em português e em alemão perfeitamente. Em espanhol com muitos erros. Em inglês com dicionário e mais tarde, quando já estava no ginásio, pedia para meus professores de inglês, corrigir.

Uma vez por semana eu ia de bicicleta no posto do correio, que ficava junto com uma loja de tecidos e artigos diversos, a “Loja Hommerding”. Lá tinha um canto especial para o correio, e quem atendia era o proprietário da loja.

Eu sempre tinha diversas cartas para despachar e também recebia diversas no mesmo dia.

Certa ocasião, o sr. Hommerding me falou que eu era a pessoa da cidade que mais recebia correspondências, inclusive mais do que o “Curtume Bender Schuck”, a maior empresa da cidade. Nessa empresa muito mais tarde, eu trabalhei por quase 15 anos.

Voltava muito feliz e depressa  para casa, com minhas novas cartas em mãos, ansiosa para lê-las.

imagens ilustrativas:



Minhas fotos 
Eu tinha muitos cadernos onde eu escrevia o rascunho das cartas , 
no fim numerava cada destinatário.


Os rascunhos com o numero d carta para o destinatário.

Alguns endereços.





BRASIL POST

 Por muitos anos meu pai era agente, representante, em Estância Velha, do jornal em língua alemã, editado no Brasil , de nome “Brasil Post.”

Ele conseguia novos assinantes e fazia as cobranças da assinatura.

O jornal era lido de ponta à ponta pelos meus pais e avós.  Neste jornal também tinha a seção infantil/juvenil, que adorávamos e esperávamos ansiosas, para a chegada do novo jornal.

Este jornal contribuiu muito para eu aprender a ler e escrever em alemão.

Neste jornal tinha a seção “correspondências”, onde as pessoas que queriam iniciar troca de cartas com outra pessoa, podiam se inscrever e divulgar seu endereço.

Eu me inscrevi e também escolhi alguns endereços, com quem passei a me corresponder.

 

(Infelizmente não temos mais nenhum exemplar, nem mesmo achei foto deste jornal na internet.)( Se alguém tiver, gostaria muito de umas fotos.  Meu e-mail: sobrenomes@gmail.com)

terça-feira, 21 de janeiro de 2025

Aprendendo a dirigir

 Quando eu tinha 15/16 anos, resolvi que ia aprender a dirigir. Meu pai tinha aquela  antigo carro, Modelo A, transformado em caminhonete.

Tínhamos aviário, de galinhas poedeiras. O galpão onde o carro ficava guardado, ficava um pouco distante da casa, para os fundos, ao lado dos galpões do aviário. Após o almoço os pais e vovó iam  se deitar para um descanso, a "soneca"" da tarde.

Então pra não saberem, entrava no carro,  ligava, desligava, até sentir firmeza e avançar um pouco.  Depois criava coragem de avançar um pouco   logo colocava a ré e voltava. De tanto observar o que meu pai fazia, eu sabia perfeitamente. Logo senti firmeza total e sai, dei volta nos galpões s e voltei pro mesmo lugar, sem meu pai perceber nada. 

Dali em diante comecei a pedir pra meu pai, pra me ensinar a dirigir. Toda semana quando chegava o carregamento d ração para o aviário, esta era descarregada próximo da casa e depois tinha que ser levada de caminhonete até nos fundos, onde ficavam todos os galpões. Eu dizia pra meu pai, que se soubesse dirigir, este serviço eu poderia fazer. 

Então ele concordou. Me chamou, mandou sentar e começou a  me mostrar o que fazer. Eu , como já, sabia, liguei o carro e logo sai dirigindo pra maior surpresa dele. Ai recebi muitos xingamentos, porque ele percebeu que eu mexia no carro quando eles não viam. 

Pude começar a levar a ração e ele não precisou mais fazer. 

Depois ele vendeu a caminhonete, comprou uma Kombi, eu dirigia por tudo, até pra fora da cidade e só fui fazer minha carta de motorista com 22 anos. Nunca ninguém me parou para ver se eu tinha carteira. 


domingo, 19 de janeiro de 2025

O ataque dos marimbondos

 
Certo dia fomos brincar em baixo de uma laranjeira. Ela tinha alguns galhos muito baixos e num deles tinha um ninho de marimbondos. 

Minha irmã encostou com a cabeça e levou muitos ferrões. 
Foi uma gritaria e correria até em casa, onde só estava a vovó.

Acho que ela não sabia o que fazer, só lembro que molhou o local e deu água pra ela. Mas ela desmaiou, talvez de tanta dor. 

Só me recordo que ela ficou desacordada por muito tempo, talvez mais de uma dia, e não sei se fizeram alguma coisa, além de observá-la na cama. 

Não tenho fotos. Imagens ilustrativas. 
   

 


Colhendo vagens e ervilhas



 Meus pais plantavam todo tipo de legumes e hortaliças, que ele vendia às terças e sábados, quando levava tudo à São Leopoldo. Lá, ele estacionava ao lado da praça do Imigrante , onde mais verdureiros se reuniam.

Nos crianças, também ajudávamos muito, nossa tarefa  nas segundas e sextas feiras a tarde, era colher as frutas e muitos legumes. Limpá-los, amarrar em feixes o que precisava .

Subíamos nas laranjeiras, bergamoteiras, goiabeiras, ameixeiras, isto era uma brincadeira para nós que passávamos nosso tempo livre, a maior parte em cima das árvores. Também tinha peras, marmelos, abacates para colher. Nosso pomar era rico de tantas frutas.

Eu adorava colher as vagens e as ervilhas. A noite, eu nem tinha mais fome, porque na colheita destas eu já havia me empanturrado. Eu tanto gostava de comê-las cruas, que colhia uma e comia outra. 

Imagens ilustrativas. - Não tenho fotos deste tempo






Visita ao tio avô em Recife/PE

Em 1974, em minhas primeiras férias de trabalho, no escritório do Curtume Bender Schuck,  em Estância Velha, fui viajar com minha mãe e irmã da avó, para Recife/PE, na casa do irmão mais velho da vovó. Também foi minha primeira viagem de avião. 

Este tio avô, Félix Bela Filuszteck, era o primeiro filho dos imigrantes Lazar e Rosália Filuszteck, provenientes da  Austria em 1897. Minha avó Olinda era a segunda filha, de dez irmãos. O Félix,  irmão da vovó, morava longe de nós, mas ele e a esposa, vinham praticamente todos os anos para o sul do Brasil, visitar todos os parentes que viviam por aqui. Quando já não podia mais viajar, ele escrevia cartas, pedindo para os parentes irem até o Recife visitar ele. Isto foi por alguns anos, mas ninguém se atreveu a ir até lá. Então em 1974 veio uma carta dele, onde quase  não se podia mais entender a escrita,  mas pedia por favor, à minha mãe, que era sobrinha e afilhada dele, que ele tinha muito apreço, para realizar o ultimo desejo dele e ir até lá. Dizia, desesperado, que não poderia morrer sem a presença dela. Foi então que eu disse à minha mãe e avó, vamos lá, eu tenho férias e vamos realizar o desejo dele. Minha avó não quis ir, tinha medo da viagem, já era bem velhinha também. Então foi junto a tia Gisela, uma irmã mais nova dela. . Fomos de avião, de Porto Alegre à Recife, com escala em São Paulo e Salvador. 

Este tio Felix Bela, já estava acamado a um bom tempo, mas quando soube que a sobrinha Lody, minha mãe, estava chegando, ficou bom, de repente,  e até veio nos receber também, com a filha e netos no aeroporto. Ele estava muito feliz. Foi passear conosco, quase todos os dias, nos mostrando muitos lugares lindos em Recife e cidades próximas, e contando muitas histórias. 

No oitavo dia de nossa visita, fui com o neto dele na rodoviária comprar nossas passagens, desta vez voltamos de ônibus para conhecer mais lugares. Ficamos quatro  dias em Salvador, Bahia e quatro dias também  no Rio de Janeiro, para conhecer um pouco do local. 

Quando voltamos da rua, e o neto dele falou o que tínhamos ido fazer, ele parecia que levou um choque. Disse, mas já vão embora? Então agora posso morrer, mas morro feliz porque vi minha sobrinha e afilhada querida. E para surpresa de todos, ele teve um enfarte fulminante e morreu em seguida. Foi um episódio muito triste, ficamos para o velório e enterro, e no ouro dia voltamos de lá. Mas a filha , genro e netos nos consolaram dizendo que não nos abalássemos, pois ele queria isto mesmo e que partiu feliz!


Nesta foto está o Félix Blea, a filha Irene, genro Luiz Notari e neto, Henrique. 

As quermesses da Igreja

Eu fui batizada, me confirmei, me casei e até hoje faço parte da Igreja Evangélica de Confissão Luterana -  IECLB. Isto vem de berço, meus pais, avós, bisavós, de ambos os lados pertenciam a IECLB.  Meu trisavô  paterno  - Lorenz Konrad - foi um dos fundadores da igreja evangélica  em Linha Nova/RS, logo que ele, imigrante, chegou da Alemanha. 
Meus pais sempre fizeram parte da diretoria da igreja em Estância Velha. Todos os anos esta comunidade fazia grandes kermesses, por ocasião da data de fundação da igreja. Tinham muito trabalho com a preparação e até nós, crianças e depois jovens, participávamos desta organização.
Estas kermesses juntavam muito povo, era servido  almoço, com galeto, churrasco e muitos acompanhamentos. Sobremesas das mais diversas. A tarde um café delicioso com muitas cucas, bolos e tortas. Sempre tinha alguns músicos e bandinhas que animavam a festa e um local onde até dançavam. Tinha muitas bancas com brincadeiras e onde se podia ganhar prêmios  diversos.
                                     
 O salão da comunidade lotado de pessoas nos  tradicionais almoços nas kermesses. (Foto de tempo mais recente)



Igreja da IECLB em Estância Velha