Retalhos da Minha Infância
Histórias que vivi e de que ainda me lembro.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Penélope e Charmosa


Quando criança sempre convivi com gatos. Também tínhamos cachorros, mas meu amor maior era pelos gatos.  Minha mãe os amava demais e sempre tinha muitos gatos.
Quando casei, meu marido só quis cachorro, odiava os gatos. Quis muito, mas não pude ter um gatinho.
Depois vieram os filhos, um menino e uma menina e eles também adoravam os gatos, muito mais do que os cachorros. Mas não podiam ter nenhum. Sempre quando íamos veranear na casa do vovô, eles passavam o tempo todo brincando com os gatinhos da vovó. Também vinha passear na casa da vovó, uma gata da raça himalaia, que pertencia a uma vizinha, que a trazia junto em época de veraneio. Era linda e muito mansinha. Adorava a companhia das crianças.
Quando minha filha completou dez anos, o pai dela a perguntou o que queria ganhar de aniversário. Disse assim: podes pedir qualquer coisa que eu compro pra ti. Quando eu ouvi isso, eu já imaginei o que vinha.
-Pai, posso pedir mesmo, o que eu quiser?
- Sim podes, minha filha.
- Ah, então eu quero um gatinho. E quero que seja igualzinho à Penélope. (a gata himalaia da vizinha da vovó).
Quando ouviu isso, ele começou a ralhar, mas eu intervi e disse que ele ofereceu qualquer coisa e agora não podia voltar atrás. Se ele não queria isso, não devia ter falado assim, pois ela muitas vezes pediu um gatinho.
À noite falei pra minha cunhada do pedido que a filha fez. Então ela disse que uma colega da filha dela, tinha uma gata linda com filhotes. Ela iria ver se tinha algum sobrando. Logo ela me retornou, e falou que tinha reservado uma pra nós, mas que só poderia buscar em um mês, pois recém tinham duas semanas de vida.
Passados quinze dias, meu marido foi à casa da irmã e lá resolveu de já trazer o gatinho.
Chegando à casa desta senhora, ele teve uma surpresa. Era a vizinha de praia da vovó a dona da Penélope, a gata com quem as crianças brincavam e gostavam muito. Minha cunhada vendo os gatinhos tão lindos, logo disse pra meu marido. Leva mais um para o menino também. Aí a dona da Penélope também disse.  - Vais levar sim, pois o menino também já me disse que gosta muito de gatos, mas o pai não deixa ter e eu sei que lá vão ser bem cuidados!
Quando meu marido chegou em casa exclamei:
- Que foi que houve contigo?! Não queria gato nenhum, agora já vem com dois!
As crianças não cabiam em si de tanta felicidade! Eram duas fêmeas. Uma era toda branquinha, igualzinha a sua mãe, de aparência himalaia, de olhos azuis. Recebeu o nome de Charmosa. A outra era rajadinha, peluda, mas não tinha a carinha de himalaia, pois a gata cruzou com um gato comum. Mas era linda também, de olhos verdes.  Recebeu o nome de Penélope.
Tinham apenas 30 dias de vida, nem sabiam comer sózinhas. Tive muita pena. Penélope logo aprendeu e parecia não sentir falta da mãe. Mas Charmosinha era muito carente, sempre queria mamar na roupa da gente.
Penélope teve uma índole de vira-lata, ela saía do pátio, ía passear pelas redondezas. Charmosa, talvez por ter mais sangue de raça, nem saia para o pátio, era gata caseira mesmo.
Vendo como eram queridas e brincalhonas, meu marido passou a gostar delas e também chorou junto conosco, quando Penélope com doze anos morreu de câncer.
Charmosa morreu de velhice com quase 16 anos.


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