Quando casei, meu marido só quis cachorro, odiava os gatos. Quis muito, mas não pude ter um gatinho.
Depois
vieram os filhos, um menino e uma menina e eles também adoravam os
gatos, muito mais do que os cachorros. Mas não podiam ter nenhum. Sempre
quando íamos veranear na casa do vovô, eles passavam o tempo todo
brincando com os gatinhos da vovó. Também vinha passear na casa da vovó,
uma gata da raça himalaia, que pertencia a uma vizinha, que a trazia
junto em época de veraneio. Era linda e muito mansinha. Adorava a
companhia das crianças.
Quando
minha filha completou dez anos, o pai dela a perguntou o que queria
ganhar de aniversário. Disse assim: podes pedir qualquer coisa que eu
compro pra ti. Quando eu ouvi isso, eu já imaginei o que vinha.
-Pai, posso pedir mesmo, o que eu quiser?
- Sim podes, minha filha.
- Ah, então eu quero um gatinho. E quero que seja igualzinho à Penélope. (a gata himalaia da vizinha da vovó).
Quando
ouviu isso, ele começou a ralhar, mas eu intervi e disse que ele
ofereceu qualquer coisa e agora não podia voltar atrás. Se ele não
queria isso, não devia ter falado assim, pois ela muitas vezes pediu um
gatinho.
À
noite falei pra minha cunhada do pedido que a filha fez. Então ela
disse que uma colega da filha dela, tinha uma gata linda com filhotes.
Ela iria ver se tinha algum sobrando. Logo ela me retornou, e falou que
tinha reservado uma pra nós, mas que só poderia buscar em um mês, pois
recém tinham duas semanas de vida.
Passados quinze dias, meu marido foi à casa da irmã e lá resolveu de já trazer o gatinho.
Chegando
à casa desta senhora, ele teve uma surpresa. Era a vizinha de praia da
vovó a dona da Penélope, a gata com quem as crianças brincavam e
gostavam muito.
Minha cunhada
vendo os gatinhos tão lindos, logo disse pra meu marido. Leva mais um
para o menino também. Aí a dona da Penélope também disse.
- Vais levar sim,
pois o menino também já me disse que gosta muito de gatos, mas o pai não
deixa ter e eu sei que lá vão ser bem cuidados!
Quando meu marido chegou em casa exclamei:
- Que foi que houve contigo?! Não queria gato nenhum, agora já vem com dois!
As
crianças não cabiam em si de tanta felicidade! Eram duas fêmeas. Uma
era toda branquinha, igualzinha a sua mãe, de aparência himalaia, de
olhos azuis. Recebeu o nome de Charmosa. A outra era rajadinha, peluda,
mas não tinha a carinha de himalaia, pois a gata cruzou com um gato
comum. Mas era linda também, de olhos verdes. Recebeu o nome de
Penélope.
Tinham
apenas 30 dias de vida, nem sabiam comer sózinhas. Tive muita pena.
Penélope logo aprendeu e parecia não sentir falta da mãe. Mas
Charmosinha era muito carente, sempre queria mamar na roupa da gente.
Penélope
teve uma índole de vira-lata, ela saía do pátio, ía passear pelas
redondezas. Charmosa, talvez por ter mais sangue de raça, nem saia para o
pátio, era gata caseira mesmo.
Vendo
como eram queridas e brincalhonas, meu marido passou a gostar delas e
também chorou junto conosco, quando Penélope com doze anos morreu de
câncer.

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